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Planos cancelados

Meu fim-de-semana em Garça já estava praticamente planejado , embora de forma muito flexível. Afinal, o objetivo era relaxar e não me estressar para poder cumprir o plano. No sábado de manhã, eu iria fazer uma caminhada (ou talvez, até dar uma corridinha) e depois, tomaria sol para tirar meu bronze home-office . Depois do almoço, faria uma siesta sem horário para acordar e relaxaria até ir dormir novamente, seja lendo, escrevendo ou terminando de assistir os últimos episódios da minha série atual. No domingo, pegaria o ônibus de volta para São Paulo pois, na segunda-feira, minha rotina de trabalho, exercícios físicos e demais compromissos voltaria ao normal, junto ao marido, às gatinhas e à enteada. Mas... nem tudo acontece sempre como planejamos, não é mesmo? Já na sexta-feira, tudo começou a acontecer fora do planejado. Acordei com uma dor insuportável na barriga que me impediu de fazer minha aula de funcional pela manhã e de trabalhar durante todo o dia. A partir daí, todos os meus ...

Perrengue très chic!

Todo mundo vê as fotos que eu posto, mas não os perrengues que eu passo. Esse poderia ser o lema de qualquer viagem. Pois sabemos que não existe viagem sem perrengue, principalmente as viagens internacionais! Na minha última viagem à França, este ano, fiz uma coleção deles. Cada interruptor, tomada, torneira ou descarga que utilizamos em outros países precisaria de um manual. Torneira automática, que abre pra cima, pro lado ou com o pé... Tomada de 3 pinos redondos, de dois pinos retangulares paralelos ou na diagonal. Tomadas que afundam na parede e que, nunca, irão encaixar naquele secador que você levou na mala durante toda a viagem. Nem mesmo o conversor universal de tomada dá conta de tanta variedade. Sem falar nas "privadas de plataforma" da Alemanha, que existem apenas para que você possa admirar a obra de arte que acabou de criar...   No quesito mobilidade, em cada cidade que visitamos, precisamos descobrir como pagar o ônibus e o metrô. Em algumas delas, precisamos co...

Nosso novo objeto do desejo

 E assim, de repente, agosto se foi. Aquele mês antes interminável, agora também está passando rápido. Nos mercados, já podemos pressentir os primeiros sinais do Natal e, logo, os corredores estarão bloqueados por túneis feitos de caixas de panetones de todos os sabores, tamanhos e preços. Hoje em dia, o tempo é o nosso novo objeto do desejo. Não conheço nenhuma pessoa que diga que tem tempo suficiente para fazer tudo o que precisa (e quer) fazer. Estamos todos correndo contra o tempo em uma esteira rolante? Ou seria em uma roda giratória de hamster ?   Dizem que o tempo é relativo à idade. Quanto mais velhos nos tornamos, mais rápido o tempo passa, pois temos mais histórias para contar e mais memórias para lembrar. Dizem também, que temos a impressão de que o tempo passa mais rápido quando fazemos as coisas no piloto automático, sem prestar atenção no que estamos fazendo. E que, para que isso não aconteça com tanta frequência, é importante fazermos  sempre  coisas n...

Flow: A psicologia do alto desempenho e da felicidade

Este livro ficou sentado na minha prateleira por muitos meses, olhando para mim diariamente, até que eu finalmente iniciasse sua leitura. A princípio, pensava que ele incluiria uma coleção de pesquisas científicas, além de um passo a passo sobre como conseguir " entrar no flow ", aquele estado de concentração plena durante uma atividade, em que você nem vê o tempo passar.  Logo no primeiro capítulo, descobri que o livro é muito mais do que isso. Como o próprio título diz, fala também sobre como encontrar a felicidade através do flow . Confesso que fiquei surpresa com o conteúdo, pois até então meu conhecimento sobre o tema se limitava ao seu impacto na capacidade de concentração e não na qualidade de vida como um todo. Mas, considerando que o autor do livro,  Mihaly Csikszentmihalyi, é um renomado psicólogo, eu não deveria esperar nada menos do que um livro sobre felicidade. Aliás, seu nome impronunciável foi citado até por Daniel Kahneman, em  Rápido e Devagar . Quand...

Uma impostora da tecnologia

  Entrei na faculdade de Ciência da Computação em 1996, quando Tecnologia da Informação ainda era a “profissão do futuro”. Não me lembro muito bem por que escolhi esse curso. Só sei que, aos 17 anos, não temos maturidade suficiente para escolher a profissão que iremos seguir para o resto da nossa vida. Mas eu gostava de ciências exatas, tinha um bom raciocínio lógico e não queria fazer Engenharia, então, foi o que sobrou. Ganhei meu primeiro computador quando passei no vestibular. Um desktop com monitor de 15 polegadas, Windows 95 e kit multimídia, de última geração. No primeiro dia de aula, olhei para a grade de disciplinas e já estranhei a que se chamava “Construção de Algoritmos”, a base de toda a programação. Não fazia a menor ideia do que iria aprender nos próximos quatro anos que me aguardavam como universitária. Meus amigos da faculdade achavam que eu nunca iria concluir aquele curso. A maioria deles já tinha computador e programava desde criança, enquanto eu, estava apenas ...

Café na mamadeira

 Sempre fui completamente apaixonada por café. Costumo brincar que minha mãe devia colocar café na minha mamadeira, pois não consigo me lembrar de uma época em que essa iguaria deliciosa não fez parte da minha rotina diária. Pode ser café com leite, expresso ou gourmet. Até café sem açúcar e com gelo eu adoro! Meu pai nasceu na roça, em meio a uma família italiana de 10 irmãos. Todos moravam na mesma casa e trabalhavam no cultivo do café. E assim ele seguiu ao longo de sua vida, sempre com o seu pedaço de terra e a sua plantação de café. Me lembro que quando eu era pequena, meu pai trazia uma parte da sua colheita para casa, e minha mãe torrava e moía o café para nosso próprio consumo. Como eu amo o cheiro de café moído na hora! Eu adorava abrir aquela gavetinha do moedor de ferro verde, onde os grãos caíam em forma de pó, e inspirar bem fundo, até que aquele cheiro ficasse grudado nas minhas narinas. Até hoje, ele me traz muitas lembranças da infância... Na minha família, todos se...

Piscina de bolinha de verdade

Era domingo, dezembro de 2023. O calor de Beagá, em pleno verão, estava insuportável. O dia estava até mais silencioso, mesmo para um domingo. E eu estava em casa, suando em bicas e tentando arrumar o que fazer com uma criança de 3 anos, cheia de energia. Moramos em um apartamento pequeno de dois quartos, mas que possui uma área externa bem espaçosa, por ser no último andar do edifício. Nem posso chamar de cobertura, pois nesse caso, você estaria pensando em um apartamento de alto padrão. Mas posso dizer que o que temos é uma laje bem ajeitadinha, onde podemos colocar uma rede, alguns vasos e até fazer um churrasquinho. Lá, podemos ver o céu, sentir o sol ou tomar chuva se quisermos, o que nos faz sentir como se morássemos em uma casa com quintal. Adoro brincar com a Clara lá fora. Ela corre atrás dos cachorros, o Chico e a Gal, até eles ficarem cansados. Mas ela, não. Ela não cansa nunca. E, nesse dia, os dois cachorros ficaram na sombra, deitados de barriga para cima, enquanto ela só...