Pela primeira vez desde que me mudei, peguei o trem de São Paulo a Jundiaí. A expectativa era de que o trajeto duraria 1:30h mas, como era feriado e a via está em obras, acabou demorando 2h ao todo.
Para compensar a vontade de chegar logo e a ansiedade pelo fato do trem andar mais devagar que uma tartaruga e demorar um tempo considerável em algumas estações, fui me divertindo com os vendedores ambulantes que passavam (gritando) dentro do vagão.
Tinha gente vendendo batata, pipoca doce, pururuca e amendoim. Até vendedor de cerveja passou por ali!
Vendedor de lençol por R$ 20 e de Bobby Goods por R$ 10, incluindo o livrinho e 24 canetinhas (segundo ele, mais barato que na Shopee).
Copo da Virgínia (wtf?) para fazer shake por R$10. Aceita crédito, débito ou PIX. Devia estar barato mesmo pois um dos passageiros comprou vários e disse que iria revender!
Carteira da Calvin Klein unissex. Película 3D e carregador de celular portátil.
Bala Fini e Mentos.
Meias infantis personalizadas (fiquei em dúvida sobre como a moça iria personalizar a meia ali no trem, mas aparentemente eram apenas meias de personagens infantis).
Mais lençol a R$20. O cara simplesmente jogou vários pacotes de lençol no chão do vagão pra mostrar as estampas (levei um susto com o barulho).
Aliás, eu nem conseguia ler meu livro de tanto barulho… tinha vendedor que usava até microfone, daqueles de apresentador. Ele devia estar ganhando bem porque estava com os dentes brancos, até cintilantes (no melhor estilo Ross). Com certeza, fez lente de porcelana.
Fiquei impressionada com a diversidade de produtos. Parecia um show do Silvio Santos.
Os discursos também eram um show à parte. Um dos vendedores jurou pela vida da ex dele que o gloss que estava vendendo era original. Outro dizia que “não era carga roubada, era desviada”…
De repente, todos os vendedores sumiram e tudo ficou em silêncio! Os guardas estavam passando pelo vagão para pegar os vendedores no flagra. Afinal, o comércio ambulante é proibido por lei nos trens e metrôs.
Mas logo os guardas foram embora e os vendedores voltaram, como num passe de mágica. Fiquei pensando se havia alguma passagem secreta, pois não entendi para onde eles foram durante aqueles poucos minutos.
E assim, duas horas se passaram. No início, fiquei incomodada com o barulho mas depois acabei preferindo observar tudo o que estava acontecendo (enquanto eu escrevia esse texto), ao invés de me irritar. Afinal, como um dos vendedores disse a um senhor que reclamou da gritaria: "Quer conforto, pega um Uber"!
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