Skip to main content

Nosso novo objeto do desejo

 E assim, de repente, agosto se foi. Aquele mês antes interminável, agora também está passando rápido. Nos mercados, já podemos pressentir os primeiros sinais do Natal e, logo, os corredores estarão bloqueados por túneis feitos de caixas de panetones de todos os sabores, tamanhos e preços.

Hoje em dia, o tempo é o nosso novo objeto do desejo. Não conheço nenhuma pessoa que diga que tem tempo suficiente para fazer tudo o que precisa (e quer) fazer. Estamos todos correndo contra o tempo em uma esteira rolante? Ou seria em uma roda giratória de hamster?

 

Dizem que o tempo é relativo à idade. Quanto mais velhos nos tornamos, mais rápido o tempo passa, pois temos mais histórias para contar e mais memórias para lembrar. Dizem também, que temos a impressão de que o tempo passa mais rápido quando fazemos as coisas no piloto automático, sem prestar atenção no que estamos fazendo. E que, para que isso não aconteça com tanta frequência, é importante fazermos sempre coisas novas e vivermos o momento presente.

Na minha opinião, o tempo passa muito mais rápido quando moramos em cidades grandes. Estamos sempre correndo de um lado para o outro, pegamos trânsito sempre que vamos de um lugar a outro (por mais perto que seja e independentemente do horário e do dia da semana), e tudo o que temos que fazer demora... enfim, o dia passa num piscar de olhos e não conseguimos fazer nem metade daquilo que gostaríamos de fazer

Já quando vou para o interior, parece que o tempo rende! Consigo acordar com calma, almoçar com calma, resolver minhas coisas pessoais no horário do almoço e ainda sobra tempo para fazer o que gosto - ou apenas descansar - depois do trabalho.

A tecnologia é outra inimiga do tempo. Nos distraímos em alguma rede social e, quando percebemos, já passou uma hora. Começamos a ler uma notícia, de lá clicamos em um link interessante e, quando nos damos conta, entramos em um emaranhado de sites que parece não ter fim. 

Todos os dias, tenho a nítida sensação de que não tenho tempo de fazer as coisas de que mais gosto, de que não estou aproveitando a vida. Mesmo com o home office, que economizou muito do meu tempo e me proporcionou muito mais qualidade de vida, meu dia-a-dia é composto por trabalho, tarefas da casa, exercícios físicos e filmes na TV. Raramente saio durante a semana ou faço alguma coisa diferente. 

Mesmo nos fins de semana, me falta tempo para conseguir fazer tudo o que quero. Quando priorizo as atividades físicas e o descanso, falta tempo para me divertir. Quando viajo ou faço um programa diferente, não tenho tempo para relaxar. Tenho vontade de viajar mais, de passear mais, de voltar a fazer trilhas ou de fazer alguma coisa diferente. Mas... quando? 

Como foi que o tempo atingiu a velocidade da luz?

Será que não podemos redistribuir nossas horas do dia igualmente entre trabalho, descanso e lazer? Pois, mesmo quando trabalhamos 8 horas e dormimos 8 horas por dia, as 8 horas restantes devem ser divididas entre alimentação, higiene, estudo, transporte, lazer, e tudo o mais que quisermos fazer. E eu queria fazer tantas coisas! 

Sinto falta de encontrar mais meus amigos, de me divertir, de dançar até o amanhecer. Será que eu é que não sei organizar meu tempo direito? Eu é que busco uma meta inatingível de querer fazer tantas coisas? Estou morando na cidade errada onde o tempo voa? Ou só estou ficando velha mesmo, e por isso o tempo parece passar mais rápido? 

Comments

Popular posts from this blog

Rotinas são superestimadas

O Milagre da Manhã é um livro que não quero ler. Sei que está na moda e que todos coaches motivacionais o recomendam. Mas acho que já sou disciplinada o suficiente e preciso muito mais relaxar do que colocar ainda mais pressão em mim mesma.  Me lembro uma vez que minha irmã sugeriu a meu sobrinho, que sempre tirava notas excelentes, que ele jogasse um pouco de vídeo game ou fizesse algo que gostasse bastante quando estivesse chateado, por exemplo, por causa da nota de uma prova. E sua resposta foi que nenhum dos seus amigos ouvia esse tipo de conselho de seus pais! Mas, como disciplinar uma criança que já se cobra o suficiente? Na minha opinião, minha irmã estava coberta de razão quando deu esse conselho a ele...  Comigo não é diferente. Tudo o que eu não preciso é acordar às 4:30h da manhã para tornar a minha rotina ainda mais estressante. Já acordo cedo para fazer exercícios, meditar ou arrumar a minha casa antes de trabalhar. E faço tantas coisas durante o dia! Por isso, me...

O paradoxo da escolha

Todo mundo quer ter liberdade de escolha. Mas, hoje em dia, ter muitas opções não traz apenas felicidade.   Você já parou pra pensar se era mais feliz quando tinha apenas 5 canais da TV aberta, ou hoje, quando você tem uma infinidade de filmes e séries em diversos streamings de vídeo diferentes para escolher? Ou ainda, se você sabia o que queria ouvir quando tinha apenas 10 CDs e 25 fitas cassete gravadas em casa, ou hoje, quando tem uma assinatura de streaming de música, onde você pode escolher qualquer disco, de qualquer rimo, de qualquer cantor, qualquer país, idioma ou época? Quando temos a possibilidade de múltiplas escolhas, a liberdade pode gerar ansiedade.   Se há muitas mesas disponíveis num restaurante, ficamos tão perdidos que não conseguimos nos decidir sobre onde queremos nos sentar. Da mesma forma, se há diversas vagas disponíveis em um estacionamento de shopping, por exemplo, ficamos dando voltas sem conseguir escolher qual delas é a melhor. E, depois que ...

Tá puxado!

Os últimos dois anos foram puxados! Pandemia, política, economia... tudo nos causa stress. Ligo a televisão e só vejo notícias pesadas, é difícil não me impactar com tanta desgraça.  Ultimamente, prefiro me abster de imagens de guerras e enchentes, para não absorver essa energia negativa. Prefiro não sobrecarregar o que já está tão complicado, mas ao mesmo tempo preciso tomar cuidado para não me alienar de tudo o que está acontecendo.   Alguns fatos mais próximos me tocam mais, e para estes, dou maior atenção. Me sensibilizo mais com a dificuldade financeira de uma família da minha comunidade, por exemplo, do que com a guerra da Ucrânia, pois isso é algo com que eu posso contribuir. Talvez se eu já tivesse visitado o país, ou conhecesse alguém de lá, mudaria um pouco essa visão... Não é sobre não me importar com as pessoas, e nem sobre ser insensível a um problema mundial tão assustador. Mas já pensou se eu fosse me preocupar com todos os problemas do mundo? Isso me causa...