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Ano Novo, Casa Nova

 Faz tempo que não comemoro o Ano Novo, ao contrário de alguns anos atrás, quando costumava ir a festas badaladas ou praias com fogos de artifício. Ultimamente, tenho ficado em casa, dormido antes da meia-noite e nem os fogos na TV tenho visto. Parece que o novo ano é apenas uma continuação do ano anterior, e não o início de um novo ciclo. O que antes me causava lágrimas de emoção por começar algo novo, agora não me emociona mais.  Não sei se isso se deve à maturidade, ao casamento ou a algum outro motivo não identificado. O fato é que, quando eu era mais jovem, tinha mais disposição para viajar para uma outra cidade, me divertir em uma festa e ficar acordada até o amanhecer do primeiro dia do ano. Hoje, penso que vou gastar um dinheiro absurdo para ter que ficar em pé, rodeada de muita gente e tendo que usar um banheiro público. Que preguiça...  Este ano, ainda por cima, o dia primeiro de janeiro também marcou o primeiro ano da morte do meu pai. Ao mesmo tempo que passou...
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Soco no estômago

  Um soco no estômago. Foi o que senti ao ler “Pequeno manual antirracista”, de  Djamila Ribeiro. Percebi que todos somos racistas, por vivermos em um país com racismo estrutural desde a época da colonização. E também que, apesar de eu sempre ter apoiado a causa, pouco tenho efetivamente contribuído para combater o preconceito. O silêncio nos torna responsáveis pela manutenção do racismo.  O livro, como o próprio nome diz, é bem curto e fácil de ler, literalmente um manual prático sobre o que podemos fazer no nosso dia a dia para disseminar a cultura antirracista.  Como uma mulher branca, devo primeiramente reconhecer que tive privilégios em relação aos negros e repudiar falas ou atitudes racistas sempre que percebê-las ao meu redor.  Como líder de equipe, devo atuar na minha empresa para promover a equidade entre brancos e negros, tanto na contratação quanto na promoção desses profissionais para cargos de liderança. Como leitora, devo ler autores negros, para a...

Trevas

  Sempre soube que eu era uma pessoa típica da era moderna, acostumada com água encanada (e quente), energia elétrica e, recentemente, com a internet sem fio. Não consigo me imaginar vivendo em uma época sem esses pequenos luxos… Mas, quando realmente ficamos sem esses recursos básicos é que valorizamos a importância - e o uso frequente - deles. Sabe quando você machuca um dedinho e só aí percebe todas as vezes que precisa dele?  É assim que me sinto há dois dias sem energia elétrica em São Paulo. Ainda continuo a apertar o interruptor em todos os cômodos que entro, por pura força do hábito. Esquentar a comida no fogão, usando uma caixa de fósforo, me fez sentir como se vivesse no século passado. Nem o filtro de água funciona, pois é ligado na tomada. E o jantar, ao invés da luz de velas, foi iluminado por uma luminária USB, conectada a um power bank…  Menos mal que o elevador está funcionando com o gerador e o chuveiro a gás está esquentando, já que é ligado por uma bate...

Luto

Desabafos de uma recém-viúva depois da morte de seu querido marido, com quem foi casada por 67 anos...   Primeiro mês... É assim, filha. Há momentos que fico bem, outros penso que não vou suportar. É preciso ter fé e coragem pra não afundar. Mas vai passar, não sei quando. O lugar na mesa...vazio. Na sala de TV.... não tem ninguém. Na hora de ir pra bocha, ninguém me chama. No quarto...também não o encontro. No banheiro, ninguém para eu enxugar as costas. Na feira, agora vou só. No horário da missa, TV desligada. Ao acordar, na hora do banho, ao deitar, não me pede ajuda.  Cadeira do papai sem aquele ranger... A casa, sem vida. Na bocha, o parceiro sem o parceiro. Os R$ 2 não preciso mais reservar... No coração ♥️, saudade sem fim. Nos olhos, lágrimas que correm. No peito, um aperto.  E assim vou vivendo meus dias... Que coisa que é a morte.  Não me deixe tropeçar, nem desistir, mas fortaleça-me Senhor, para que eu possa prosseguir. Segundo mês... Acabei ...

Literatura & Empatia

O mundo mudou muito nos últimos 100 anos. Avançamos na medicina, nas ciências e na tecnologia. Descobrimos novas vacinas, melhoramos a nossa higiene, melhoramos as leis trabalhistas, criminalizamos a misoginia, o racismo e a homofobia.  Mas, será que evoluímos tanto assim como humanidade? Ainda vemos tantos casos de racismo não declarado, de misoginia ou etarismo, entre outros preconceitos, que às vezes parece que não saímos do século XIX. Temos a impressão que damos um passo para a frente e dois para trás.  *** Este ano, li diversos livros que me fizeram pensar sobre empatia , ou em alguns casos, sem nem mesmo conseguir imaginar como seria estar no lugar dessas pessoas...   Um livro que me fez sentir  a realidade dos negros no período da escravidão foi "Um defeito de cor", de Ana Maria Gonçalves. A escritora fala sobre a forma em que eles foram escravizados no início do século XIX, sobre o modo cruel em que foram trazidos nos navios da África para a América, s...

Flor nacional

 Ah, os ipês! Chegam no inverno quando todas as outras árvores estão secas colorem a paisagem cinza da cidade com uma cor de cada vez para nenhum ofuscar a beleza do outro  Primeiro, vêm os amarelos a cidade vista de cima  parece um jardim de margaridas o chão fica coberto de flores como uma passarela   para que eles desfilem Depois, vêm os rosas com seus cachos pink  ou rosa clarinho que mais parecem pompons Os brancos são os mais efêmeros duram apenas um dia há de ter sorte para vê-los floridos Agora chegou a vez dos ipês roxos ou seriam jacarandás? nunca sei qual é qual Esta que é a minha cor preferida não necessariamente é a minha cor de ipê preferida  pois todas são igualmente deslumbrantes E, apesar de não entender de árvores de flores ou de plantas não consigo deixar de apreciar  e de fotografar  esta maravilha da natureza que é chamada de flor nacional

O paradoxo da escolha

Todo mundo quer ter liberdade de escolha. Mas, hoje em dia, ter muitas opções não traz apenas felicidade.   Você já parou pra pensar se era mais feliz quando tinha apenas 5 canais da TV aberta, ou hoje, quando você tem uma infinidade de filmes e séries em diversos streamings de vídeo diferentes para escolher? Ou ainda, se você sabia o que queria ouvir quando tinha apenas 10 CDs e 25 fitas cassete gravadas em casa, ou hoje, quando tem uma assinatura de streaming de música, onde você pode escolher qualquer disco, de qualquer rimo, de qualquer cantor, qualquer país, idioma ou época? Quando temos a possibilidade de múltiplas escolhas, a liberdade pode gerar ansiedade.   Se há muitas mesas disponíveis num restaurante, ficamos tão perdidos que não conseguimos nos decidir sobre onde queremos nos sentar. Da mesma forma, se há diversas vagas disponíveis em um estacionamento de shopping, por exemplo, ficamos dando voltas sem conseguir escolher qual delas é a melhor. E, depois que ...