Faz tempo que não comemoro o Ano Novo, ao contrário de alguns anos atrás, quando costumava ir a festas badaladas ou praias com fogos de artifício. Ultimamente, tenho ficado em casa, dormido antes da meia-noite e nem os fogos na TV tenho visto. Parece que o novo ano é apenas uma continuação do ano anterior, e não o início de um novo ciclo. O que antes me causava lágrimas de emoção por começar algo novo, agora não me emociona mais. Não sei se isso se deve à maturidade, ao casamento ou a algum outro motivo não identificado. O fato é que, quando eu era mais jovem, tinha mais disposição para viajar para uma outra cidade, me divertir em uma festa e ficar acordada até o amanhecer do primeiro dia do ano. Hoje, penso que vou gastar um dinheiro absurdo para ter que ficar em pé, rodeada de muita gente e tendo que usar um banheiro público. Que preguiça... Este ano, ainda por cima, o dia primeiro de janeiro também marcou o primeiro ano da morte do meu pai. Ao mesmo tempo que passou...
Um soco no estômago. Foi o que senti ao ler “Pequeno manual antirracista”, de Djamila Ribeiro. Percebi que todos somos racistas, por vivermos em um país com racismo estrutural desde a época da colonização. E também que, apesar de eu sempre ter apoiado a causa, pouco tenho efetivamente contribuído para combater o preconceito. O silêncio nos torna responsáveis pela manutenção do racismo. O livro, como o próprio nome diz, é bem curto e fácil de ler, literalmente um manual prático sobre o que podemos fazer no nosso dia a dia para disseminar a cultura antirracista. Como uma mulher branca, devo primeiramente reconhecer que tive privilégios em relação aos negros e repudiar falas ou atitudes racistas sempre que percebê-las ao meu redor. Como líder de equipe, devo atuar na minha empresa para promover a equidade entre brancos e negros, tanto na contratação quanto na promoção desses profissionais para cargos de liderança. Como leitora, devo ler autores negros, para a...