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Posts

Rápido e Devagar

 Recentemente, faleceu o famoso psicólogo israelense Daniel Kahneman, com exatos 90 anos de idade. Confesso que fiquei bastante triste quando ouvi esta notícia. Fazia apenas alguns meses que eu havia concluído a leitura de sua obra-prima, o livro “ Rápido e Devagar ” (em inglês:  Thinking, Fast and Slow ), que, por sinal, eu li beeem devagar (desculpem-me o trocadilho). Kahneman, apesar de ser um psicólogo, ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2002, por sua contribuição sobre a tomada de decisão em investimentos baseada no comportamento humano . Sua principal conclusão é que nossa mente frequentemente toma decisões baseadas na emoção, inclusive quando se trata de investimentos financeiros, e esse comportamento pode nos levar a tomar decisões financeiras equivocadas. Essa teoria é baseada no funcionamento do nosso cérebro, em que duas formas de pensar coexistem: o Sistema 1, rápido e intuitivo; e o Sistema 2, devagar e racional .  O Sistema 1 existe para que possamos toma...

O trabalho não é o trabalho

Já que esta semana estou na "vibe do trabalho", aqui vai mais um post sobre este tema... Recentemente, ouvi o episódio " O trabalho não é o trabalho ", do podcast Boa Noite Internet, e passei a refletir sobre minha própria situação profissional. Cito abaixo alguns dos meus insights .  O trabalho é só o trabalho Assim como o Cris Dias, também sempre tive inveja daquelas pessoas que sabiam o que queriam fazer desde crianças, que nunca se imaginaram fazendo outra coisa ou que até hoje dizem sem nenhuma hesitação que amam o seu trabalho. Também nunca sei o que escrever quando preencho o campo de profissão em algum formulário. Às vezes digo que sou "Bacharel em Ciência da Computação", que é a minha formação universitária; em outras, coloco "Gerente de Projetos", cargo com o qual me identifico profissionalmente; ou ainda, simplesmente escrevo "Analista de Sistemas", que é o que as pessoas irão entender.   Para mim, o trabalho é só o trabalho...

Quiet retiring

 As definições de ambição foram ressignificadas.  Depois do quiet quitting (quando o funcionário faz o trabalho mínimo possível do seu job description, sem se esforçar em fazer nada mais), do quiet firing (quando a empresa cria condições de trabalho insustentáveis para que o próprio funcionário peça demissão), entre outras tendências silenciosas, inventei o termo  quiet retiring para descrever o meu momento de carreira atual.  Enquanto o quiet quitting e o quiet firing  podem ter algumas conotações negativas, como a falta de motivação do funcionário por não querer ir além, ou talvez a falta de ética da empresa por não demitir um funcionário que já não está correspondendo às suas expectativas, o quiet retiring é simplesmente um desejo de não fazer mais tantas movimentações de carreira até que eu possa me aposentar. Talvez esta expressão tenha algumas características do quiet ambition , adotado pela Geração Z, que atualmente está rejeitando carreiras de ...

Por um ambiente de trabalho mais inclusivo para as mulheres

Ontem, participei de um painel em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres, em que debatemos sobre os desafios que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho e sobre como podemos criar um ambiente mais inclusivo para elas.  O fato é que, mesmo depois de tanta evolução, as mulheres ainda são consideradas cuidadoras da família, enquanto os homens, provedores.  Por este motivo, elas dedicam mais tempo que os homens nas tarefas domésticas e eles possuem mais oportunidades na carreira.    Acredito que até hoje a mulher precisa decidir entre focar na carreira ou na família, principalmente quando ela tem filhos. Isso porque, se ela quiser chegar a um cargo executivo, precisará se dedicar muitas horas ao trabalho e ficar mais tempo longe de casa, o que significa delegar o cuidado dos filhos para a avó, o marido, a babá ou a escolinha.  Outra opção comum nas famílias com mais recursos financeiros é que elas acabam abrindo mão de suas carreiras por um período para se...

A overdose de Pesquisas de Satisfação

Não sei vocês, mas eu estou tendo uma overdose de pesquisas de satisfação… Desde o início dos anos 2000, quando comecei a aprender sobre pesquisas de satisfação nas aulas de marteking, muita coisa mudou. Naquela época, já se falava sobre entender as necessidades do cliente, porém em um nível muito mais amplo. As pesquisas eram bem genéricas, e as poucas empresas que sabiam ouvir o cliente eram tratadas como cases nas escolas de negócio.  Já hoje, recebo pesquisas de satisfação toda vez que compro qualquer produto (em lojas físicas e online), ou que abro qualquer chamado no atendimento de uma empresa. Esses dias, recebi a pesquisa do atendimento antes mesmo do chamado ter sido respondido! Até nas minhas assinaturas do petshop, da farmácia ou do mercado, recebo um e-mail mensal, perguntando o que eu achei do mesmo produto. Nos restaurantes, o que antes era uma pergunta genérica do garçom sobre a qualidade da comida, se transformou em um tablet com mais de 20 perguntas que devo respon...

Caroço de pêssego

 O casamento estava perfeito Os noivos juraram amor eterno Meu namorado e eu éramos mais um casal apaixonado De repente, alguém apareceu E ela não estava convidada  para a minha festa Ele se esqueceu de mim Só tinha outros olhos Seus amigos me consolavam Mas no fundo me entendiam E eu, não fiz absolutamente nada Não tive nenhuma reação Mas, naquele momento A festa acabou para mim e o namoro também. Éramos um casal apaixonado  e ela não estava convidada Mas ele só tinha outros olhos  e a festa acabou para mim

Aniversário de São Paulo

Hoje, a cidade onde moro há 24 anos, faz aniversário. Quando era pequena e morava no interior do estado, dizia que nunca iria morar aqui. São Paulo, para mim, era perigosa, fedida e caótica.  Não sei se eu escolhi ou se fui escolhida quando vim pra cá. Talvez, eu tenha até sido engolida. Mas, na época, não via outras opções de trabalho. Apesar de algumas idas e vindas, acabei ficando por aqui e me acostumei. Com o trânsito, com a insegurança, com todo esse caos. E, em algum momento, acabei até passando a gostar... O tempo em São Paulo passa muito mais rápido do que nos outros lugares. Qualquer compromisso, como uma ida ao supermercado ou a uma consulta médica, demora no mínimo algumas horas.  Nossa noção de espaço também se transforma. Tudo aqui é mínimo, tudo é apertado. Moramos em apartamentos minúsculos, mesmo nos bairros superfaturados. E as pessoas? Estão sempre apressadas, sempre atrasadas, sempre estressadas. Temos medo de conversar com alguém na rua, de dar bom dia par...