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Patience

Certo dia, uns 20 anos atrás, fui ao Parque Ibirapuera para ver uma exposição que, na verdade, nem me lembro qual era. Peguei um ônibus na Vila Mariana e, logo que entrei, um rapaz sentou atrás de mim com um violão e começou a tocar Patience, do Guns. Com assobio e tudo. Impossível não me deixar levar por aquela melodia. Impossível não cantar junto. Quando ele acabou a música, me virei para trás e agradeci pelo "couvert artístico" no busão. Começamos a conversar, ele me disse que também estava indo ao Ibirapuera e descemos juntos no ponto.  Disse a ele que estava indo encontrar alguns amigos para ir à exposição. Ele me disse que estava de boa, só ia sentar para tocar em algum lugar. E então o convidei para nos acompanhar na exposição e ele disse que sim.  Encontramos meus amigos, vimos a exposição e depois ele ainda foi almoçar com a gente. Ninguém tinha entendido que eu acabava de conhecer aquele rapaz no ônibus. Achavam que ele era meu amigo e o trataram como tal. ...

Waze Carpool

Em 2019, trabalhei por alguns meses em Alphaville, e dirigia mais de 2 horas por dia para ir e voltar do trabalho em meio a um trânsito caótico. Na época, eu estava fazendo mestrado, e tinha aulas à noite duas vezes por semana. Nesses dois dias, chegava em casa às 11 horas da noite e, no dia seguinte, lá estava eu de novo acordando às 6 da manhã. Algumas pessoas conseguem dormir poucas horas e ficar bem no dia seguinte. Mas essa não sou eu. Meu anjo da guarda teve que fazer algumas horas extras para me salvar das vezes em que dormi no volante. Mascava chiclete, ouvia podcasts, cantava bem alto, mas era muito difícil ficar acordada com todo aquele sono que eu tinha. Pra completar, aquele foi o pior emprego que tive. Apesar de ser uma empresa onde eu sonhava trabalhar, o assédio moral era grande. E eu, que já tinha 20 anos de carreira, estava me sentindo uma péssima profissional. Tentava de várias maneiras mudar aquela situação em que me encontrava. Até que fizeram uma campanha no prédio...

Lições do zen-budismo, por Monja Coen

Recentemente, li dois livros de Monja Coen sobre o zen-budismo: Aprenda a viver o agora e  Zen para distraídos , ambos disponíveis no Kindle Unlimited.  Fiquei bastante impressionada com os ensinamentos dessa doutrina, com a maturidade das pessoas que a praticam e com a capacidade que eles têm de pensar sempre no bem ao próximo. Claro que eu estava tendo essas referências de uma monja mas, mesmo assim, é uma lição de altruísmo e desapego. Fui batizada na igreja católica e até hoje pratico a religião moderadamente, mas também tenho afinidade com o espiritismo e, recentemente, com o budismo, depois que comecei a praticar yoga e meditação.  Portanto, resolvi consolidar aqui algumas lições do zen-budismo que aprendi com os livros da Monja Coen , e que acredito que, independente da sua religião, são práticas importantes para vivermos em um mundo melhor.  Conceitos básicos Primeiramente, vamos a alguns conceitos básicos.  O zen-budismo é uma doutrina japonesa baseada...

Várias versões de mim mesma

Hoje em dia, muito se fala de diversidade. De ser capaz de transitar em diversos mundos, com diversos públicos e diversos temas.  Sempre fui a menina certinha, que se sentava na segunda fileira e andava com os alunos mais inteligentes da sala. Que gostava de ler, não fazia bagunça e tirava notas boas em todas as provas (ou quase).  Mas, ao mesmo tempo, também sempre fui a amiga CDF que passava cola na prova para os alunos repetentes, ou a amiga careta que ia fumar maconha junto com os descolados. Até hoje s ou a amiga certinha  mas, ao mesmo tempo, continuo sendo amiga de pessoas muito diferentes de mim. Sempre gostei de ter outras visões, às vezes até mesmo difíceis de entender.  Ao ouvir o episódio  Você consegue se adaptar? , do podcast Jout Jout de Saia , refleti muito sobre quem eu sou e sobre as várias versões de mim mesma.  Nele, a "filósofa" Jout Jout fala sobre como se adaptar aos outros e ao mundo, sem perder a nossa essência. Pois, no mundo de ho...

Por que eu faço o que faço?

O que vc quer ser quando crescer? Essa é uma pergunta que ouvimos frequentemente quando somos crianças, mas dificilmente sabemos a resposta. São poucas as crianças que dizem desde cedo o que querem ser - e que não mudam de opinião ao longo da vida. Mesmo quando somos adolescentes e temos que escolher o que cursar na universidade, muitas vezes ainda não temos maturidade o suficiente para saber quem somos ou o que queremos...  Quando criança, quis ser bailarina, professora, psicóloga… Meus pais eram professores de matemática e português, e estas sempre foram minhas matérias preferidas. Adorava estudar, e meu brinquedo preferido era a minha escrivaninha amarela.   No ensino médio (ou colegial, como dizíamos naquela época), me identifiquei mais com as matérias exatas, e acabei escolhendo a faculdade de Ciência da Computação, que desde então era uma "carreira do futuro".  Sinceramente, não fazia a menor ideia do que era programação ou algoritmos. Ganhei meu primeiro comp...

Colecionadora de histórias

Há alguns anos, fiz um teste de perfil do StrengthsFinder (Descubra seus Pontos Fortes, em Português), que me apresentou as seguintes características, entre outras: sou uma aprendedora , uma colecionadora e uma comunicadora . Ou seja, estou sempre buscando novos conhecimentos de diversos temas diferentes e gosto de interagir com as pessoas para obter e compartilhar todo este conhecimento.  Que eu era aprendedora e comunicadora eu até já sabia. Mas o conceito de colecionadora foi novo para mim e, a partir deste resultado, passei a descobrir novas formas de usar este ponto forte a meu favor. O teste dizia que, para potencializar essa característica, deveria estar sempre agregando novos conhecimentos e, além disso, criar um sistema para organizar estas informações, para que eu pudesse acessá-las facilmente.    Ou seja, unindo essas três características eu deveria estar sempre aprendendo coisas novas, colecionando todo este conhecimento, mesmo sem saber para que ele seria úti...

This is Us

I finally made until the end of This is Us and I can say that this was the best series I've ever watched. Not only because of the story of the triplets Kevin, Kate and Randall. But also because of the love they got from their parents, Jack and Rebecca Pearson. And about the way this story was put together, with all the flash backs and retrospectives about their lives... I promise you won't get any spoilers if you keep reading this. Right now I am sitting at my desk, writing these words, while I listen to the series soundtrack and feel the emptiness for not being part of this family anymore. Along all the 106 episodes from the 6 seasons of this series, I listened to the opening song during my evenings. And, as it has already happened with so many other series, movies and books, I feel empty after finishing them.  I have to confess that I didn't make through the first episode at once. I thought it was so confusing that I stopped watching it after 15 minutes, and I couldn...