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Várias versões de mim mesma

Hoje em dia, muito se fala de diversidade. De ser capaz de transitar em diversos mundos, com diversos públicos e diversos temas. 

Sempre fui a menina certinha, que se sentava na segunda fileira e andava com os alunos mais inteligentes da sala. Que gostava de ler, não fazia bagunça e tirava notas boas em todas as provas (ou quase). 

Mas, ao mesmo tempo, também sempre fui a amiga CDF que passava cola na prova para os alunos repetentes, ou a amiga careta que ia fumar maconha junto com os descolados. Até hoje sou a amiga certinha mas, ao mesmo tempo, continuo sendo amiga de pessoas muito diferentes de mim. Sempre gostei de ter outras visões, às vezes até mesmo difíceis de entender. 

Ao ouvir o episódio Você consegue se adaptar?, do podcast Jout Jout de Saia, refleti muito sobre quem eu sou e sobre as várias versões de mim mesma. 

Nele, a "filósofa" Jout Jout fala sobre como se adaptar aos outros e ao mundo, sem perder a nossa essência. Pois, no mundo de hoje, você precisa conviver com diversas realidades, você precisa ter essa diversidade. Mas, quando você interage com vários grupos de pessoas diferentes, em vários ambientes diferentes, você precisa se adaptar até um certo ponto, sem deixar de ser quem você é. 

E a solução para isso é se conhecer na totalidade, para entender quais são as suas várias versões. A cada ambiente em que você transitar, mostrar apenas a parte que se adapta àquele ambiente, desde que não passe por cima da sua verdade. 

Cada mundo que me recebe vai receber uma versão de mim personalizada para aquele mundo. 

No filme Uma garota de muita sorte, Mila Kunis faz o papel de uma escritora de sucesso que tem uma vida perfeita, porém que não a representa. Ela se perde nessa personagem que criou para si mesma, como uma armadura que coloca para ser como as pessoas querem que ela seja, para falar o que as pessoas querem ouvir. 

Não sei o que sou e que parte eu inventei para que as pessoas gostassem de mim. Eu tinha tanto orgulho disso, achava que era um camaleão e que era mais inteligente que os outros. Tão inteligente que não sei mais nada sobre mim mesma. 

Me lembrei também da peça Mulheres são de Marte, e é pra lá que eu vou... interpretada pela sensacional Mônica Martelli. Ela vive uma mulher de 30 anos que, a cada namorado que arruma, acaba se moldando à sua personalidade. Políticos, bicho-grilos, mauricinhos... cada um deles definia as roupas que ela usava, os lugares onde frequentava e os amigos com quem convivia. E, no fim, o que ela precisava era apenas ser ela mesma para conquistar alguém que tivesse os mesmos valores que ela.

Fiquei pensando se eu já me transformei dessa forma para agradar a um namorado ou a um grupo de amigos, e percebi que sim. Já tive namorados que moldaram a minha forma de falar ou de pensar, e claro que não deram certo, pois eu não podia ser quem eu sou. Em compensação, já me afastei de amigos justamente porque percebi que aquele não era o meu mundo, que eu não me sentia confortável naquele ambiente. 

Portanto, concordo plenamente com a Jout Jout que a resposta é sempre o autoconhecimento. Não tem problema você ter amigos ou parceiros diferentes de você, isso é super saudável. Mas, quando você se conhece, você sabe até onde pode chegar, sem deixar de ser quem você é.

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