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Jazz rider

Querido Guga... quer dizer, querida Mari

Vai ser difícil me acostumar a te chamar assim. Vai demorar um tempo para eu me acostumar com sua nova voz.

Te conheci há uns 4 anos, quando meu namorado me apresentou o Gugacast. Me tornei uma ouvinte assídua, mas nos últimos meses, não estava acompanhando tanto. No último episódio que tinha ouvido, você estava voltando de uma cirurgia e sua voz estava um pouco rouca. Só agora entendo o que aconteceu naquela época! 

Foi meu namorado também que me perguntou, enquanto mostrava uma foto da @jazzrider no Instagram: "Gatinha, esse é o Guga? Acho que agora ele é uma mulher trans". Não é possível, respondi, esta é uma menina mesmo, e ela é bem novinha! Não pode ser o Guga!

Olhamos algumas fotos do mesmo perfil e chegamos à conclusão que ela era parente do Guga, mas não era o Guga. Chegamos até a cogitar que quem tinha feito a transição era o Eric, pois ele era adolescente. 

Até que meu namorado ouviu o Especial LGBTQIAP+ 2022 do Gugacast, ops, Jujubacast. Ele foi "direto à parte que nos interessava" e disse que chorou em pleno metrô de São Paulo lotado, ao mesmo tempo que os participantes (detalhe: em mais de 4 anos de namoro, nunca vi meu namorado chorar). 

Já eu, ouvi o episódio na íntegra enquanto caminhava na esteira por vários dias consecutivos, ansiosa para chegar na última história. E ainda por cima fui chamada de insensível, só porque consegui me conter na frente de todos os que malhavam no mesmo recinto. 

Mas, apesar de não ter derramado lágrimas, me emocionei muito com todas as histórias. E estou aqui para agradecer ao Jujubacast por nos nos proporcionar tantas histórias emocionantes!

Sou uma mulher cis, branca, de classe média, heterossexual e extremamente careta. Ou seja, sou considerada uma pessoa privilegiada no mundo de hoje. O único ambiente em que eu faço parte da minoria é no meu trabalho, por ser uma mulher de tecnologia. Mesmo assim, nunca me senti discriminada, não sei se por não ter percebido ou por não ter acontecido mesmo. 

Por isso, esse episódio foi um muito importante para que eu conhecesse outras realidades. Ainda fico confusa com alguns termos da atualidade e, da primeira vez que ouvi falar do Biscoito de Gênero, minha cabeça explodiu. Até hoje não consigo associar todos esses conceitos na minha cabecinha nerd e careta... 


Mesmo assim, procuro sempre entender os outros pontos de vista. Na empresa onde trabalho, participo de várias palestras e Grupos de Afinidade sobre o Diversidade & Inclusão e tento sempre ter uma atitude respeitosa com as pessoas, independente do gênero, raça, orientação sexual, sotaque ou nacionalidade. Afinal de contas, são todas pessoas, como eu. E todas merecem ser felizes. 

Sempre que me pego julgando alguma situação, por exemplo, de homossexuais ou negros, reflito se eu estaria pensando o mesmo se fossem hétero ou brancos. Assim, procuro perceber ativamente meus vieses inconscientes e ter uma atitude cada vez menos preconceituosa. 

Recentemente, ouvi a seguinte frase da consultora de RH, em um treinamento sobre liderança: "se eu errar em diversidade, me corrija com bondade". E acredito que é por aí, em alguns momentos podemos errar, mesmo sem ter essa intenção. Estamos todos aprendendo a nos comportar neste novo mundo tão diverso. 

Ouvir a essas histórias no Jujubacast fez com que eu entendesse como essas pessoas se sentem e com que eu trabalhasse minha empatia. E quando personificamos estas situações, nos sentimos mais próximos do outro e isso faz com que nossos julgamentos não tenham mais fundamento. Faz com que nos tornemos pessoas melhores.  

Obrigada, Jujubacast. Obrigada, Jazz Rider. Obrigada, Mari.

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