Skip to main content

Embrace Uncertainty

Sempre que fazemos algo novo, nos deparamos com a incerteza, com o medo de arriscar. E sempre vem à nossa mente qual o limite entre nos mantermos na zona de conforto ou nos jogarmos no abismo do desconhecido. Será que estou tomando a decisão correta? Este medo é saudável ou estou dando um passo maior que minhas próprias pernas? 

Acredito que vários fatores impactam na resposta a estas perguntas. A idade, por exemplo, é um deles. Quando somos jovens, nos permitimos arriscar mais, nos lançamos em atividades ou jornadas nunca antes experimentadas. Afinal, tudo é novidade e não temos muito a perder. À medida que nos anos vão passando, já não temos mais este impulso da juventude. Ficamos mais medrosos em provar coisas novas. Tememos por nossas famílias, por nossos filhos, por nossas casas. 

Vejo isso acontecendo muito no ambiente profissional. Os jovens de hoje não têm nada a perder quando mudam para um novo emprego, ou para um outro país. Se não der certo, eles ainda terão muito tempo para se recuperar, para procurar outra coisa. Já eu, hoje em dia só consigo pensar em me manter no mesmo emprego até minha aposentadoria... Quero tranquilidade e qualidade de vida, não quero mais me matar de trabalhar como fazia quando tinha 20 anos.

Mas já houve uma época em que eu decidi me arriscar e largar o meu emprego, sem outra opção em vista. Estava em um trabalho tóxico, que me causava muito stress e, antes que eu pudesse ter um burnout, decidi sair. Além disso, já tinha outros exemplos de amigos que haviam feito o mesmo e isso me dava um certo conforto por não ser a única "louca" que abandonou um emprego dos sonhos.  

Naquela época, não me preparei, decidi no impulso. Alguns anos depois, me senti na mesma situação em um outro trabalho, e decidi que, desta vez, não iria jogar tudo para o alto antes de encontrar outra coisa. Foram longos meses até que eu conseguisse sair, o que afetou muito minha saúde física e mental. Mas, pelo menos, consegui reagir mais rapidamente e não me deixar afogar naquela situação por muito tempo sem fazer nada para mudar. Consegui identificar o meu limite. 

A questão financeira também é um outro fator que pode impactar muito neste tipo de decisão. Se eu não tivesse meus próprios recursos para sobreviver por alguns meses sem o meu salário, eu nunca poderia ter "me dado ao luxo" de pedir demissão sem ter um Plano B. Portanto, tanto a preparação financeira quanto a estratégica são ótimos recursos para que você possa se arriscar com mais cautela. Se tudo der errado, o que eu faço?

Essa pergunta, embora pareça bastante negativa, pode nos dar muita tranquilidade na hora de tomar uma decisão difícil. Ter um backup plan é uma segurança para que possamos agir mais rapidamente e mais objetivamente nos momentos de crise. 

Outra estratégia é pensarmos como será a nossa vida daqui a um ano se continuarmos onde estamos. Por exemplo, se você não está feliz no seu trabalho, quais as chances de um novo trabalho ser melhor que o atual? Se considerarmos que a probabilidade de ser feliz no trabalho novo é de 50%, ainda assim as chances já são melhores que no trabalho atual, portanto é um bom motivo para arriscar e mudar. 

No final, sempre nos arrependemos de não tentar, mas nunca de tentar e falhar...

Comments

Popular posts from this blog

Rotinas são superestimadas

O Milagre da Manhã é um livro que não quero ler. Sei que está na moda e que todos coaches motivacionais o recomendam. Mas acho que já sou disciplinada o suficiente e preciso muito mais relaxar do que colocar ainda mais pressão em mim mesma.  Me lembro uma vez que minha irmã sugeriu a meu sobrinho, que sempre tirava notas excelentes, que ele jogasse um pouco de vídeo game ou fizesse algo que gostasse bastante quando estivesse chateado, por exemplo, por causa da nota de uma prova. E sua resposta foi que nenhum dos seus amigos ouvia esse tipo de conselho de seus pais! Mas, como disciplinar uma criança que já se cobra o suficiente? Na minha opinião, minha irmã estava coberta de razão quando deu esse conselho a ele...  Comigo não é diferente. Tudo o que eu não preciso é acordar às 4:30h da manhã para tornar a minha rotina ainda mais estressante. Já acordo cedo para fazer exercícios, meditar ou arrumar a minha casa antes de trabalhar. E faço tantas coisas durante o dia! Por isso, me...

This is Us

I finally made until the end of This is Us and I can say that this was the best series I've ever watched. Not only because of the story of the triplets Kevin, Kate and Randall. But also because of the love they got from their parents, Jack and Rebecca Pearson. And about the way this story was put together, with all the flash backs and retrospectives about their lives... I promise you won't get any spoilers if you keep reading this. Right now I am sitting at my desk, writing these words, while I listen to the series soundtrack and feel the emptiness for not being part of this family anymore. Along all the 106 episodes from the 6 seasons of this series, I listened to the opening song during my evenings. And, as it has already happened with so many other series, movies and books, I feel empty after finishing them.  I have to confess that I didn't make through the first episode at once. I thought it was so confusing that I stopped watching it after 15 minutes, and I couldn...

Rosas roubadas

Hoje vi uma roseira e fiquei lembrando da época em que recebíamos rosas roubadas, na nossa adolescência la em garça... que saudade! como era bom acordar e ganhar um presentinho desses, nem sempre com bilhetinho mas sempre nos fazia sorrir! Será que os homens ainda são românticos assim?