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Rotinas são superestimadas

O Milagre da Manhã é um livro que não quero ler. Sei que está na moda e que todos coaches motivacionais o recomendam. Mas acho que já sou disciplinada o suficiente e preciso muito mais relaxar do que colocar ainda mais pressão em mim mesma. 

Me lembro uma vez que minha irmã sugeriu a meu sobrinho, que sempre tirava notas excelentes, que ele jogasse um pouco de vídeo game ou fizesse algo que gostasse bastante quando estivesse chateado, por exemplo, por causa da nota de uma prova. E sua resposta foi que nenhum dos seus amigos ouvia esse tipo de conselho de seus pais! Mas, como disciplinar uma criança que já se cobra o suficiente? Na minha opinião, minha irmã estava coberta de razão quando deu esse conselho a ele... 

Comigo não é diferente. Tudo o que eu não preciso é acordar às 4:30h da manhã para tornar a minha rotina ainda mais estressante. Já acordo cedo para fazer exercícios, meditar ou arrumar a minha casa antes de trabalhar. E faço tantas coisas durante o dia! Por isso, me permito dormir até mais tarde nos dias em que meu corpo está precisando. 

O episódio Routines are Overrated, do Art of Manliness Podcast, fala sobre essa necessidade de ser extremamente produtivo o tempo todo. Ultimamente, as pessoas estão tão sobrecarregadas, que querem fazer tudo e, no fundo, têm a impressão de que não estão fazendo nada. É como um ratinho correndo em uma roda giratória: você corre, corre, mas não chega a lugar nenhum. 

No episódio, a convidada sugere não seguir uma rotina à risca 100% do tempo, pois isso requer atingir uma perfeição impossível de se manter. Ao invés disso, podemos ser mais flexíveis e fazer pequenas coisas que eventualmente se tornarão a conquista de um objetivo. O objetivo é fazer o que conseguimos fazer durante o nosso dia e, principalmente, ficarmos felizes com estas realizações, ao invés de nos sentirmos culpados pelo que não conseguimos fazer. 

Me lembro de uma conversa que tive com uma amiga quando nós duas estávamos desempregadas. Mesmo sem um trabalho fixo, eu fazia milhares de coisas: cursos, exercícios físicos, encontros com amigos... E, quando ela me perguntou se eu não me sentia culpada por ler uma revista inteira no meio da tarde, eu respondi que não, porque aquilo também contribuía para o meu conhecimento e estava entre as minhas prioridades, que era a de relaxar durante aquele período. Não sentia que eu estava desperdiçando aquele tempo, porque eu já tinha feito tantas outras coisas!

Acho que é por aí mesmo. Não é o fim do mundo não conseguirmos fazer tudo o que precisamos fazer, desde que não fiquemos parados no tempo e que estejamos indo de encontro aos nossos objetivos. Precisamos baixar nossas expectativas, e planejar apenas aquilo que conseguimos fazer, ao invés de definirmos metas inatingíveis e nos sentirmos péssimos depois por não cumpri-las.

Como tudo na vida, é preciso equilíbrio (e realismo) ao definirmos nossos objetivos. Precisamos deles para evoluir, porém o excesso de metas também pode nos desmotivar. Precisamos de disciplina para cumpri-los, porém o excesso de responsabilidade pode nos levar ao stress. 

Portanto, se você é uma pessoa autodisciplinada como eu, tente levar sua rotina com mais leveza. Existe beleza nas atividades não planejadas, existe produtividade nas horas de ócio. Tente passar uma semana sem se planejar e veja o que acontece. Estou praticando essa nova atitude e garanto que está sendo incrível. 

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