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Pequena leitora

Desde pequena sou uma leitora assídua. Daquelas que se envolvem tanto com os personagens que eles passam a fazer parte da nossa vida, como um círculo de amigos invisíveis. E quando se trata de uma trilogia ou de uma série de livros, se tornam tão importantes que quando o livro acaba parece que o meu melhor amigo mudou de cidade. Foi assim com Harry Potter, com Christian Grey, Lisbeth Salander, entre outros. Meu hábito de leitura começou quando m eu tio, que trabalhava em uma editora, descobriu que eu já sabia ler aos 6 anos, e começou a me enviar livrinhos pelo correio. Aos 7 anos, eu já tinha uma biblioteca particular com mais de 1000 livros infantis. Ficava tão ansiosa para receber as encomendas, que preferia ir até o correio buscar na Caixa Postal 10, ao invés de aguardar a entrega pelo carteiro. E lia todos, diversas vezes, sem parar.   Quando cresci, minha coleção de livros infantis foi doada para a biblioteca da cidade, mas eu continuei comprando novos livros. ...

O novo normal

O novo normal é usar máscaras. Costureiras estão aproveitando para vender, e gente do bem aproveitando para doar. Até mesmo grandes marcas já estão aproveitando para comercializar produtos com uma pegada fashion, ou com a sua própria identidade. Recebemos máscaras de brinde com nossas compras online de supermercado e de roupas, e até os repórteres as usam em suas transmissões ao vivo.  Invadimos a vida pessoal dos nossos colegas de trabalho, dos artistas e dos jornalistas. Passamos a conhecer a decoração de suas casas, as vozes e rostos de seus filhos, o pedido de ajuda para fazer uma lição online, os seus bichos de estimação. Cachorros latindo ou gatos passando na frente da câmera já são cenas corriqueiras durante uma vídeo conferência do trabalho.  O novo normal é ter que ir buscar uma encomenda na portaria no meio de uma reunião online (enquanto eu escrevo, o interfone tocou para informar que chegou mais uma delas). É acumular caixas de papelão em casa, é sai...

Escrivaninha amarela

Não tenho tantas memórias de quando eu era criança. Nunca fui daquelas molecas que brincavam na rua, nunca fui arteira. Não tive nenhuma Barbie, mas brincava com a Nenezinho e com a Moranguinho, que tinha até cheirinho de morango. Me lembro que ganhei um Atari e adorava jogar Frostbite, aquele jogo do gelinho. E que, em algum Natal, ganhei vários jogos de tabuleiro de uma vez, e não queria parar de brincar com eles. Cara a cara, Banco Imobiliário e Lince eram alguns dos quais eu mais gostava. Ah, e tinha também a escrivaninha amarela. Ficava na sala de televisão, e lá eu passava o dia inteiro. Ela tinha um porta lápis embutido, e uma gavetinha onde eu guardava alguns livros e cadernos. Minha escrivaninha era o meu brinquedo favorito, e é dela que guardo minhas melhores memórias de infância. Ela significava tudo o que eu mais gostava de fazer: ler, escrever, desenhar e pintar. Como minhas irmãs eram bem mais velhas e já não moravam mais em casa, eu era praticamente filha únic...

Sapatos empoeirados

Planos pausados Sonhos postergados Viagens canceladas Sapatos empoeirados   Baleias dando piruetas no mar Tartarugas correndo na praia livremente Elefantes libertados de suas prisões turísticas O sol se pondo lindamente A insignificância do ser humano  O respiro da natureza A revisão de valores A foco no que é importante

Quando a quarentena acabar... Parte 2

Quando a quarentena acabar... Vai ter fila no cabeleireiro, no cinema, nos restaurantes Os artistas farão todos os shows adiados Os bares estarão lotados de pessoas querendo se encontrar As mesmas que antes falavam que estavam com saudades, mas nunca se encontravam Os critérios serão revistos Pessoas continuarão fazendo compras no supermercado online Pagando contas pelo internet banking E cuidando da sua própria casa     As escolas e faculdades investirão cada vez mais em cursos online Empresas permitirão o home office porque entenderam que é possível Empreendedores oferecerão soluções mais criativas aos seus clientes O trânsito será mais tranquilo, com menor locomoção das pessoas O mundo já mudou e não voltará a ser como antes As pessoas ficarão mais tempo em casa E aprenderão a relaxar Os pais passarão mais tempo com os filhos E saberão que a família é o que realmente importa Quando a quarentena acabar As pessoas darão mais v...

Uma extrovertida na quarentena

Viver isolado não está fácil pra ninguém. Mas eu diria que, para os extrovertidos, ficar trancado em casa está sendo muito mais difícil. Os extrovertidos vivem do contato social. Não aguentam fazer Home Office mais de uma vez por semana, pois perdem o café com os amigos do trabalho. Preferem ir a uma loja pessoalmente a fazer compras pela internet, só pra poder passear. Ligam no call center para falar com um atendente, ao invés de interagir com o chatbot de um aplicativo. Gostam de falar com os vizinhos sobre a reunião do condomínio, por um tempo que até supera a própria viagem de elevador (quem nunca ficou segurando a porta do elevador quando chegou no seu andar até terminar o assunto?).  Hoje, deixar de entrar no elevador quando já tem alguém dentro, ou cruzar a rua para não passar na mesma calçada que outras pessoas, passaram a ser comportamentos socialmente aceitáveis. Para os introvertidos, estes comportamentos já eram quase naturais. Para os extrovertidos, porém...

Mindfulness

Na semana passada acabou meu curso de mindfulness, e hoje fiz um vídeo sobre o que eu aprendi durante as 8 semanas do curso. Impossível falar em 1 minuto tudo o que aprendi! Amor, compaixão, empatia... ser gentil com você e com os outros... essas são palavras que identificam esse curso. E, além disso, aceitar as coisas que acontecem na nossa vida, sem nos resignar. Essa é a maior lição que estou tendo nestas semanas de isolamento. Estou aprendendo a aproveitar o período em que estou em casa para me aprimorar e ser uma pessoa melhor, sem qualquer revolta com essa situação que não podemos controlar.  Apesar da minha impaciência e ansiedade natas, estou conseguindo estar bem tranquila durante a quarentena. Tenho duas gatas que me acalmam muito, um namorado e um sobrinho que me fazem companhia, mas principalmente, estou conseguindo meditar diariamente, e aplicar as práticas de mindfulness. Atividades cotidianas, como uma simples refeição ou uma faxina na casa, são realizad...