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Viva a imperfeição!

Há seis meses, mudamos para um apartamento novo, em uma cidade nova. Deixamos o apartamento alugado anterior, onde morávamos havia cinco anos, por outro, também alugado e um pouco menor. O sonho de sair de lá somente para ir para o nosso próprio imóvel, que compramos na planta, ficou para depois, já que a obra está mais de um ano atrasada. Todos aqueles planos de termos uma casa planejada, digna de uma revista de arquitetura, foram postergados.

Sempre almejei a perfeição em tudo. Nos estudos, queria tirar nota máxima em todas as matérias, sempre. No trabalho, buscava ser a funcionária mais elogiada. No piano, desejava tocar as músicas sem nenhum erro. Nada mais óbvio, portanto, que na minha casa eu também quisesse tudo impecável: design clean, objetos de decoração modernos, almofadas afofadas, tudo superorganizado e instagramável.

Por esse motivo, quando estávamos escolhendo o apartamento atual, enxerguei vários defeitos, como a pintura malfeita, a marcenaria desalinhada, o espelho ligeiramente corroído pelo tempo e a porta do banheiro no lugar errado. E, mesmo tendo adorado o lugar, disse que não tinha certeza se era aquilo que eu queria, pois ele não era perfeito...

Até que meu marido me deu um "feedback psicológico", como passei a chamar sua fala dali em diante. Me disse que nunca iríamos encontrar um imóvel exatamente do jeito que queríamos, e que aquele era o melhor que havíamos visitado até então: preço justo, tamanho ideal, boa localização e um condomínio maravilhoso. Engoli minhas ressalvas e avisamos à corretora, no mesmo dia, que queríamos fechar o contrato. Nosso sonho de mudar para o interior era muito mais importante que aqueles "defeitinhos"!

Durante esses seis meses em que estamos aqui, fizemos diversas mudanças para deixá-lo com a nossa cara. Contratamos um arquiteto online para nos ajudar com a disposição dos móveis, pintamos as paredes, colocamos papel de parede, vasos e prateleiras. Compramos vários objetos e eletrodomésticos novos, e a cada dia nossa casa fica mais aconchegante. O melhor de tudo é que tudo foi feito no estilo "Do It Yourself", o que nos dá um prazer extra, já que estamos construindo tudo com as nossas próprias mãos.

As imperfeições continuam no mesmo lugar e, como não tínhamos nenhuma experiência prévia em reformas ou pintura de paredes, acabamos adicionando algumas novas... Minha casa está longe de ser perfeita, mas, para nós, está bonita e funcional.

Talvez nossos lares precisem ser como os vasos de cerâmica japoneses que, quando quebrados, são restaurados, evidenciando suas rachaduras e valorizando suas imperfeições, pois é isso que os torna únicos e ainda mais valiosos.

Precisamos aceitar nossas falhas — seja na nossa casa, no nosso corpo ou na nossa mente — como parte da nossa história e do caminho que percorremos para chegar até aqui. A cicatriz de uma cirurgia que tenho na barriga já não me incomoda como antes, pois me lembra de um período difícil que foi superado. O sotaque que carrego quando falo inglês também me lembra de que serei sempre uma estrangeira que se esforçou para aprender outro idioma. Da mesma forma, minha casa é perfeita justamente por carregar suas próprias imperfeições.

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