Quatro irmãs e uma mãe passam o dia em um quarto de hospital, em pleno verão. As irmãs se revezam de duas em duas, pois todas querem passar o máximo de tempo possível perto do pai que, aos 92 anos, está vivendo seus últimos dias. A mãe e esposa, segue ao seu lado com o mesmo carinho de sempre, mesmo depois de 67 anos de casados. Não há nada mais que a medicina possa fazer. Só nos resta esperar até que ele dê o último suspiro. Suas cinco mulheres, sempre juntas, mimando o único homem da família naquela geração. "A respiração vai ficar mais rápida nas últimas 24 horas", diz a médica, que faz de tudo para que ele tenha o maior conforto possível. Os órgãos começarão a parar, um a um, conforme ficarem cansados. Ele não sente dor; toma apenas um analgésico comum e tem a expressão tranquila. Mas eu não sei de nada disso. Não sei nada sobre a morte, pois nunca acompanhei a partida de alguém tão próximo. Nos intervalos do revezamento, enquanto aguardo minha vez de entrar no quarto, l...