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Bridgerton

Esta semana terminei de assistir a terceira (e, pelo que entendi, a última) temporada de Bridgerton. Confesso que não tinha curtido muito as duas primeiras, mas acabei me rendendo por não conseguir parar as coisas pela metade. Além do mais, vamos combinar que é muito cômodo sentar no sofá e assistir algo que está ali disponível, quando você está sem fazer nada e cansada depois de um dia cheio de trabalho. 

Na minha opinião, as duas primeiras temporadas tinham sido bem fúteis, mostrando a importância que se dava naquela época (e, por que não dizer, até hoje?) para a sociedade, para a moral e os bons costumes, para a superioridade do homem e para os dotes da família, sendo que tudo era apenas uma fachada... Uma época em que as fofocas eram apenas comentários maldosos nos bailes de luxo ou textos impressos em jornais, antes dos paparazzi ou até mesmo das fotos íntimas publicadas na Internet.

Confesso que, mesmo para mim, Bridgerton sempre teve o seu valor. O cenário é lindo, o figurino é digno de um Emmy, as cenas de paixão em todas as temporadas são super sexy... e a trilha sonora, então, nem se fala, uma mistura de música clássica e moderna que deu tudo certo (já salvei as playlists de todas as temporadas no meu Spotify, e estou ouvindo "Yellow" enquanto escrevo). Já o spin off sobre a Rainha Charlote, esse sim, eu adorei mesmo. 

Mas vamos à terceira temporada... apesar de todas as características sobre a sociedade e a época (que eu considerava fúteis) continuarem as mesmas, esta temporada teve um algo a mais, uma cereja no bolo que fez com que eu gostasse dela muito mais do que das anteriores: o fato da personagem principal ser uma mulher tímida, inteligente, acima do peso, com baixa autoestima, ignorada pela sociedade e rejeitada por sua própria família. 

Brigerton empoderou esta personagem de uma forma que foi sendo construída durante as duas primeiras temporadas sem que pudéssemos perceber, e na última ela desabrochou. E assim, passei a pensar em todos os preconceitos que a série tenta desmascarar: os negros que fazem parte do elenco, incluindo casais formados por brancos e negros e a própria rainha sendo uma mulher negra; mulheres que preferem os livros ao casamento, mesmo sendo contra o que a sociedade prega como o natural; a bissexualidade, que desde aquela época já estava presente, embora de forma velada; e, é claro, a mulher que pode ganhar o próprio dinheiro com o seu trabalho. 

Enfim, Shonda Rhimes, a poderosa produtora desta e de muitas outras séries (que é negra e sempre incluiu muitos negros nos seus elencos), deu um banho de diversidade em todos nós. E só por este motivo, já vale a pena assistir todas as temporadas de Bridgerton.




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