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Existe mesmo igualdade de gêneros?

Só haverá verdadeiramente igualdade entre homens e mulheres, quando chegar aos mais altos postos uma mulher tão incompetente, como chega em vários casos, um homem. 



Esta frase foi dita pelo Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, em relação à representatividade das mulheres nas Forças Armadas portuguesas e, infelizmente, ainda representa a nossa realidade. Até hoje, para que as mulheres consigam subir na hierarquia, elas precisam se provar muito mais que os homens. Elas precisam desafiar as leis da física. 

Claro que o mundo já evoluiu muito. Há menos de um século, mulheres não podiam votar, estudar, escrever livros ou ter o seu próprio negócio. Nossos livros de história foram escritos por homens, a maioria dos filmes foram dirigidos sob o olhar de homens, a política foi majoritariamente executada pelos homens.  

Mesmo assim, em pleno século XXI, ainda vemos muitos casos de misoginia. Casos de patrões que submetem suas funcionárias (geralmente mulheres, negras e em situação de vulnerabilidade social) a situações análogas à escravidão, ou de maridos que tratam suas próprias esposas (financeiramente dependentes) como empregadas domésticas, ainda acontecem com uma certa frequência em diversos países.  

Outro caso que ganhou destaque na mídia nas últimas semanas foi o do coach do Campari, um macho alfa que faz parte do movimento red pill. Este movimento, nomeado em referência ao filme Matrix, define que quem tomar a pílula vermelha terá consciência de que a superioridade masculina está em risco - e precisa ser combatida através do machismo exacerbado. 

Este, entre outros grupos, têm como principal objetivo pregar o ódio às mulheres, pois acreditam que elas estão roubando o espaço dos homens. Eles chegam ao cúmulo de questionar a Lei Maria da Penha, pois entendem que ela foi feita para acabar com a raça masculina, e não para proteger as mulheres da agressão e da violência. E o pior de tudo é que, estes grupos que defendem a supremacia masculina vêm ganhando cada vez mais popularidade ultimamente.

Pela primeira vez na vida, recentemente também me deparei com um caso de discriminação contra as mulheres no meu próprio ambiente de trabalho. Manterrupting (interromper as mulheres enquanto elas falam) e mansplaining (explicar o óbvio às mulheres, por supor que elas não conhecem) ainda são frequentes no ambiente corporativo. Muitos gestores até hoje preferem não contratar mulheres, porque elas podem ter cólicas, engravidar ou ter que cuidar dos filhos doentes, o que resultaria na ausência do trabalho. Isso quando entendem que, por sermos o "sexo frágil", não vamos dar conta do trabalho duro. 

Ora, façam-me o favor! Já gerenciei muitos projetos em que toda a equipe era formada por homens, já trabalhei em muitas equipes formadas apenas por homens e já liderei muitos homens durante minha carreira. E o que eu mais ouvi até hoje é que eles precisavam de uma mulher para colocar ordem naquele time! Muitos já me falaram que têm até medo de mim (risos)...    

Só haverá igualdade de gêneros, quando os livros escritos por mulheres forem lidos também por homens. Quando tivermos oportunidades igualitárias e salários equivalentes em todas as profissões e em todos os níveis hierárquicos. Quando deixarmos de sofrer violência física, psicológica ou sexual, apenas por termos nascidos sem o cromossomo Y.

Portanto, se você, homem ou mulher, quiser apoiar a igualdade de gêneros, trate as mulheres com respeito, da mesma forma que você trata os homens. Não julgue as mulheres pelas roupas que elas usam. Leia conteúdos gerados por mulheres, para ter uma visão diferente do mundo. Contrate (e promova) profissionais mulheres, pelos mesmos critérios que você contrata e promove os homens, já elas podem ser tão competentes quanto eles. Não diga que gosta mais de trabalhar com homens "porque eles são menos complicados". Respeite as mulheres que estão em posição de liderança. Enfim, dê as mesmas oportunidades para homens e mulheres. 

Feminismo não significa queimar o sutiã, ser a favor do aborto ou deixar de se depilar. Significa permitir às mulheres fazerem (e serem) o que elas quiserem. Com ou sem sutiã, com ou sem filho, com ou sem pelos.

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