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Clientes e clientas

Minha mãe foi professora de Português e eu, desde pequena, herdei seu gosto por esta matéria. Sempre prezei pela ortografia, concordância e pontuação corretas desde minhas redações da escola até meus e-mails do trabalho. Erros de português me causam um certo arrepio e frequentemente recorro ao dicionário para confirmar sobre alguma palavra ou frase que preciso escrever, caso tenha alguma dúvida. Busco sempre escrever da forma correta, embora na língua falada isso seja um pouco mais difícil.

Mas uma coisa que não consigo engolir ultimamente é a utilização dos pronomes neutros, como todes ou todxs. Mesmo eu, que sou mulher, me sinto representada quando há a utilização de uma palavra masculina para se referir a um plural do qual faço parte. Eu me sinto parte de todos, simplesmente porque essa é regra da Língua Portuguesa, e não entendo que isso denota preconceito contra as mulheres.

Hoje em dia, as vagas de trabalho já não podem mais buscar por um desenvolvedor de software, e sim por uma pessoa desenvolvedora de software, para que as mulheres sejam incluídas. Em uma palestra, ouvi um gestor de Recursos Humanos falar sobre pessoas clientes ou pessoas professores, ao invés de apenas clientes ou professores. Ora, mas se ambas são palavras neutras, por que as mulheres não se sentiriam incluídas? Sinceramente, acho que as pessoas estão exagerando... 

Muita gente sabe que sou super a favor da Diversidade & Inclusão, principalmente em relação às mulheres no mercado de trabalho. Participo de grupos de discussão, gosto de ler e ouvir podcasts sobre este tema e acredito que estas práticas trazem muitos benefícios para todos os grupos de pessoas, seja no âmbito profissional quanto no pessoal. Até porque faço parte de uma minoria de mulheres que trabalham com Tecnologia e defendo a causa das mulheres poderem trabalhar com o que elas quiserem (ou não trabalharem, se este for o desejo delas), de terem salários equivalentes e de serem consideradas em promoções para cargos executivos. Mas dizer que eu não estou incluída em uma palavra genérica masculina, acho que é demais. Isso é assassinar as regras da Língua Portuguesa e não promover direitos iguais às mulheres.

E toda vez que ouço expressões que se classificam como neutras, do tipo pessoas clientes, não consigo deixar de pensar no podcast BallasCast. A cada introdução de um episódio, ele emenda o Senhoras e Senhores com palavras inventadas de acordo com o contexto, como por exemplo, analistas e analistos, ou clientes e clientas. Entretanto, Marcio Ballas é um improvisador e palhaço, que está apenas querendo divertir o público. Já pensou que chato seria se ele dissesse apenas analistes e... clientes

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