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O que eu penso sobre o feminismo

Nas últimas semanas tenho lido diversas opiniões sobre o papel da mulher na sociedade e no mercado de trabalho, que me fizeram parar para pensar o que eu acho de tudo isso.


O ex-presidente americano Barack Obama, ao ser questionado sobre a vitória da primeira mulher como vice-presidente dos Estados Unidos, sua companheira do partido democrata Kamala Harris, comentou que excluir as mulheres dessa corrida significaria desperdiçar 50% do potencial humano. Já a colunista do Estadão Ruth Manus se apoia na igualdade de direitos da mulher como o principal pilar para a emancipação feminina, ressaltando que isso nada tem a ver com não se depilar ou não usar sutiã. Também li um texto sobre as escritoras do século passado, que precisavam utilizar pseudônimos para conseguirem lançar seus livros, e outro de uma professora de Português criticando o uso do “x” para determinar a inclusão feminina, ferindo as normas da Língua Portuguesa com palavras como “todxs” ou “amigxs”. 

No meu caso, não posso dizer que já tenha me sentido discriminada por ser mulher. Me formei em Ciência da Computação, em uma turma de 60 alunos, com apenas 9 mulheres. Desde esta época, e posteriormente no meu trabalho na área de Tecnologia da Informação, sempre estive rodeada de homens, muitas vezes sendo a única mulher em uma sala de reunião. Mas nunca me intimidei por isso. Acredito que isso se deve também à minha personalidade extrovertida, e não sou hipócrita em pensar que a discriminação não existe. Talvez Ruth Manus tenha razão e eu seja apenas uma mulher distraída, que nunca a percebeu.

É fato que em muitas empresas há preferência por homens em determinados cargos, principalmente no nível executivo, e a desigualdade salarial entre gêneros ainda existe. Mulheres tiram licença maternidade, faltam no trabalho para levar os filhos ao médico e têm horário para ir embora. Muito disso já está mudando e hoje vemos cada vez mais homens ajudando nas tarefas domésticas e familiares, distribuindo este papel com suas esposas. 

No tempo da minha avó, se casar com um “moço bom, trabalhador e sem vícios” era como ganhar na loteria. Porque, naquela época, era normal ter um marido alcoólatra, que agredia a esposa ou que não ajudava nas despesas da casa. E as mulheres, donas de casa, eram obrigadas a aguentar tudo isso, porque o divórcio não era legalizado, porque a sociedade não aprovava, e também porque elas dependiam financeiramente dos seus maridos para sobreviver. 

A minissérie brasileira Coisa Mais Linda, que se passa no Rio de Janeiro dos anos 50, mostra bem a dificuldade da mulher em ter seu próprio negócio, em se divorciar ou em ser bem sucedida em carreiras predominantemente masculinas. Hoje em dia, muita coisa já melhorou depois da Lei Maria da Penha e de todas as iniciativas para integrar a mulherada no mercado de trabalho. 

Muitas mulheres tiveram que lutar e queimar seus sutiãs para que chegássemos a esse ponto, e eu particularmente consigo enxergar uma luz no fim do túnel para a igualdade de gêneros. Mas fico pensando também até que ponto as mulheres realmente querem se tornar políticas, metalúrgicas ou pilotos de avião. Essa minoria feminina em alguns cargos se deve apenas à discriminação ou também ao seu gosto por determinadas atividades? Mulheres realmente querem chegar a um cargo de alta gestão, mesmo se isso impactar na qualidade de vida da sua família? Estaríamos tendo essa mesma discussão sobre homens que desejassem ser enfermeiros, faxineiros ou fisioterapeutas, profissões majoritariamente femininas? 

Voltando ao meu exemplo universitário, a diferença entre o gosto masculino e feminino era nítida no curso de Computação. Enquanto os meninos curtiam mais as atividades de programação e montagem de circuitos, as (poucas) meninas se interessavam pelas disciplinas relacionadas à análise de dados à gestão de projetos ou a requerimentos funcionais. Acredito que exista sim uma influência da sociedade na escolha das profissões, principalmente porque quando temos 17 anos e precisamos escolher nossas carreiras, ainda não temos maturidade suficiente e nos espelhamos em nossa família e conhecidos. Porém, precisamos continuar defendendo a igualdade de direitos entre gêneros sem exageros, respeitando as individualidades e preferências de cada um.    

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