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Você já se sentiu um impostor?

Não é raro que eu me sinta uma impostora no trabalho. Mesmo tendo mais de 20 anos de experiência profissional e tendo me capacitado em diversas áreas, muitas vezes sinto que não mereço estar ali, que os outros são melhores que eu. 

A síndrome do impostor é um sentimento de estar no lugar errado, de não ser qualificado o suficiente para justificar o seu cargo ou posição atual. É um medo de "ser descoberto", de alguém perceber que somos uma fraude.  

Descobri esse termo há alguns anos, quando fiz um processo de coaching de carreira, mas o sentimento vem de longe. Principalmente porque me formei em Ciência da Computação e não me identifiquei com o curso. Me sentia uma impostora até quando a minha mãe pedia para eu consertar sua Internet e eu nem imaginava o que fazer. Se eu fiz Computação, deveria saber, não é mesmo? 

Passei a pensar de outra forma apenas quando me encontrei na área de Gestão de Projetos, alguns anos depois de me formar. Fazer o que gostamos é um dos principais fatores para nos sentirmos bons no que fazemos e continuarmos sempre nos desenvolvendo para nos sentirmos cada vez melhores.   

O mais engraçado é que, quando vemos esse comportamento nos outros, não entendemos por que eles se sentem assim. Ver uma pessoa que manda bem no trabalho se achando uma fraude é como descobrir que uma modelo rica e famosa tem depressão... simplesmente não faz sentido quando pensamos racionalmente. Conseguimos enxergar que a síndrome do impostor não faz sentido para os outros, mas não para nós mesmos.

E esse não é um sentimento apenas dos reles mortais, como nós. Empreendedores de sucesso e atrizes talentosas também pensam assim. Alguns, até têm a coragem de admitir sua vulnerabilidade em público. 

Foi o caso de Bruna Marquezine. No episódio “Quem tem síndrome de impostora?”, do podcast Mamilos, ela fala de peito aberto sobre esse tema. Talvez seja importante ver uma pessoa de sucesso se abrir dessa forma. Talvez você também já tenha pensado isso e, ver alguém que admira pensar o mesmo, faz com que você não se sinta sozinho e com que reflita se o seu pensamento realmente faz sentido.


Repensando...

Reese Witherspoon também declarou publicamente que se sente uma impostora, no podcast Re:Thinking, de Adam Grant. Até mesmo quando atuou no filme Walk the Line, que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz, ela pensou em desistir todos os dias durante as gravações. Neste episódio, ela dá algumas dicas sobre como transformar a síndrome do impostor em confiança.

A primeira dica é não se deixar paralisar pelo medo ou pelo pensamento de ser um impostor. É importante sempre avaliarmos nossa performance e tentarmos ser melhores, tanto pessoalmente quanto profissionalmente. Mas, quando este medo nos trava, paramos de tentar porque não nos sentimos merecedores daquele cargo ou papel. E isso é pura auto sabotagem, pois acaba virando um ciclo vicioso. 

If you are afraid, just go and do it.


A atriz confessa, que sempre teve medo de não ser boa o suficiente, mas o medo de se arrepender depois por não tentar era ainda maior que o medo de não fazer tão bem. Então, ela sempre decidiu encarar a situação e fazer o melhor que pudesse. Não é uma tarefa fácil, mas esse comportamento acaba transformando a coragem em autoconfiança, para que ela possa arriscar novamente nos próximos desafios.

Claro que, para isso, é preciso estudar, se preparar para poder fazer o seu melhor. Porém, mesmo nas situações em que não conseguiu um papel, tentou pensar em tudo o que aprendeu durante aquela preparação, e isso a tornou mais forte para conseguir os próximos papéis.  

I learned that just because I wasn't right for it didn't mean I wasn't good enough.


Além disso, ela fala também que devemos identificar nossos talentos e focar naquilo que somos bons, ao invés de ficarmos perseguindo sonhos que não são tão fáceis de conseguir. Esse é um convite para a frustração.

Eu por exemplo, assim como Reese Witherspoon, também nunca fui boa em esportes. Depois de me frustrar tentando jogar basquete na época do colégio, percebi que gosto de atividades individuais e meditativas, tais como corrida, natação e yoga. Portanto, ao invés de ficar tentando ser uma boa jogadora em esportes coletivos, prefiro focar meus esforços em me tornar uma melhor nadadora ou praticante de yoga. Da mesma forma, nunca fui boa cozinheira, mas adoro organizar, então ao invés de buscar ser uma boa chef de cozinha, eu faria um ótimo mise en place

Don't chase your dreams, chase your talents.

 

Há alguns anos, fiz um MBA fora do Brasil, patrocinada pela empresa em que eu trabalhava. Fui a única escolhida entre muitos funcionários que participaram do processo seletivo para fazer aquele curso, e depois ainda passei nos testes da própria escola de negócios. Mesmo assim, quando cheguei lá, frequentemente me comparava com os demais alunos. Me sentia inferior, mesmo sem nunca ter tirado uma nota baixa. Eu não fazia parte dos melhores alunos da turma, mas nem de longe estava entre os piores. Estudava muito, me esforçava para acompanhar as aulas e para fazer os trabalhos. E assim, ficava sempre na média.

Hoje, olhando para trás, só consigo pensar no privilégio que tive por ter feito esse curso. Por estar na média entre os melhores do mundo. Sempre digo que é muito melhor ser a pior entre os melhores que ser a melhor entre os piores. E percebi que minha vida foi sempre assim, sempre estive entre os melhores. Isso é uma vantagem e tanto!

Sometimes you're on the front of the bus and sometimes you're on the back of the bus. Just stay on the bus.


Mudando o ponto de vista...

O empresário e CEO da Atlassian, Mike Cannon-Brookes, também relata em seu TED Talk "How you can use impostor syndrome to your benefit" que, muitas vezes, sente que não sabe o que está fazendo. E mostra como aprender a transformar este sentimento em uma vantagem.

Ele percebeu que a síndrome do impostor continua acompanhando até mesmo as pessoas bem-sucedidas ao longo de suas carreiras. E que sentir-se inferior é uma forma de estar sempre se esforçando para ser uma pessoa melhor.   

Hoje, toda vez que ele se sente um impostor, pensa melhor e chega à conclusão de que provavelmente algo está fazendo certo. E que, ao invés de desistir, o melhor é aprender sobre o assunto e simplesmente continuar. Além disso, é importante não ter medo de pedir conselhos, para aprender sob novos pontos de vista e aprimorar suas ideias.

Instead of freezing, I tried to learn as much as I could, motivated by my fear of generally looking like an idiot, and tried to turn that into some sort of a force for good.


Transformando...

Então... Como transformar a síndrome do impostor em algo positivo?

O blog do Management 3.0 recentemente publicou um artigo intitulado "Imposter Syndrome: Why does it happen & what to do about it?", que descreve como identificar um pensamento de impostor e reformulá-lo para que ele não te paralise.

Ao invés de dizer "eu não consigo", diga "eu ainda não consigo". Ao invés de pensar que você irá falhar, pense em fazer o seu melhor e aprender com o processo. 

Além disso, reflita se o seu pensamento tem algum fundamento. Tente olhar o problema por outros ângulos e pense como você pode fazer melhor da próxima vez. Escreva uma lista de suas conquistas e não se compare com os outros, mas sim com sua própria evolução

Por fim, seja gentil com você mesmo. Afinal, somos todos seres humanos que cometemos erros. Transforme o seu pensamento para que, ao invés de paralisar, você continue tentando e melhorando sempre. Assim, você terá cada vez mais chances de não se achar um impostor. 

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